Era uma vez um senhor velho velho
velho. O corpo dele eram as barbas que tinha, tão longas eram.
Chamava-se Tempo.
Um dia, tantas eram as suas filhas, que
o Tempo resolveu dar-lhes nomes a todas. Às horas.
Hora Primeira
Hora Certa
Hora Incerta
Hora Esperada
Hora Chegada
Hora H
Hora Declarada
Hora Interminável
Hora Interminável
Hora Desejada
Hora Infindável
Hora Marcada
Hora da partida
Hora do Adeus
...
Hora do Adeus
...
E tantas horas passou a nomear horas
que ao Tempo se esgotaram os nomes.
Faltava apenas uma Hora. Já que a
penúltima se chamou Hora Final.
Esta ficou muito chateada por todas as
suas irmãs terem identidade, menos ela. E nesta insatisfação
começou a percorrer o Mundo e todo o seu dicionário a ver se se encontrava.
E foi num certo momento, numa certa
hora, e já pronta para desistir, no máximo da sua frustração, que
a Hora se irritou e gritou:
Ora Bolas!
E foi assim que, livrando-se do H e
juntando-se a outra palavra (sempre é melhor estar acompanhada), que
a Hora largou o seu “nome comum” e destacou-se das suas irmãs –
simples substantivos abstractos- e passou a ser então, uma forte
interjeição!
Ora bolas!
