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O branco é paisagem

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quarta-feira, 3 de novembro de 2010

recuperado de um sonho de um cruzeiro

Ivanov: Pensa que eu não vejo o modo como olha para a minha mulher do fundo da mesa? Com os seus olhos elogiando, clamando, suplicando.

Teodor: Porque se preocupa tanto caro Ivanov. Toda a gente sabe como a sua mulher o ama de maneira violenta, incondicional. Os seus olhos só alcançam a dimensão da sua presença e a sua profundidade é a do amor que vive por si. Nada mais ela vê. E você sabe que ela é incapaz de ver para além de si, mesmo que você não exista.

Ivanov: Sei. Sei que não lhe dou absolutamente nada e que todos vocês vêm isso. Sou incapaz. E sei que ela me ama ainda assim. Sei que me ama a cada segundo, sem limites e ao desespero. Não recebendo nada em troca, esse amor cego chegará a um ponto em que nada mais lhe interessará e levá-la-á a um estado de depressão tão profundo que já não lhe importará acordar, falar, comer. E é aí que você entra Teodor. Uma palavra sua chegará a esse seu mundo como um trovão de luz aconchegante e redentora, como um raio de vida penetrando um útero negro. Um sorriso seu será um silêncio após anos de barulho ensurdecedor. Será uma mão dada após o sexo. E não lhe interessará mais do que isso Teodor. Porque estava no estado em que estava. Regressa às necessidades primárias. Não gostará de si com a complexidade do seu ser Teodor!

Teodor: Talvez. Talvez goste de alguém na sua forma mais pura. Talvez chegue à génese desse sentimento. Ele não é complexo caro Ivanov.
Sabendo você do amor desta mulher, e ao estado a que a levará, mata-a ainda assim?

Ivanov: Sou incapaz. Sinto-me paralisado, mordido por uma aranha, petrificado.


(ficou o sonho por aqui)