martamars@gmail.com

O branco é paisagem

O branco é paisagem
MyFreeCopyright.com Registered & Protected

domingo, 8 de maio de 2011

Ela

Não sabia ainda quem ela era mas várias vezes a imaginava. Calculava por onde ela entraria, mas não começava sequer a tentar perceber como reagiria eu à sua presença. Tal era a imponência que eu lhe adivinhava. Na minha visão era alta a perder de vista. Todos a imaginam assim, claro, e até “perder de vista” de facto ela é.

Na sua infinitude se perdia o seu conceito e assim tranquilamente (a maior parte do tempo) seguia a minha vida.
Assim, ou de algum outro modo parecido, seguimos todos, mesmo depois de a conhecer.

Quando a conheci foi através da minha avó.
A minha avó pegou-me na mão e apresentou-ma do modo mais carinhoso que pôde, de modo a não me assustar. E Ela não me assustou, avó.
Não sei bem como reagi a esse encontro. Sei que ela entrou levemente, pairando no ar, mal dei pela sua presença. Era alta a perder de vista, sem que eu a visse realmente e não era ela que se perdia.

A segunda vez ela entrou de rompante e a sua magnitude chocou-me. Este tipo de encontros sem aviso imaginam-se sem se querer (nunca se quer) mas nem sequer se conseguem imaginar. Ela entrou de rompante e impestou o ar, literalmente, vinha carregada de cheiro e imagem. E ainda assim foi difícil de acreditar na sua presença.
Não sei bem como reagi, ainda hoje não acredito nesse encontro. Mas no meu coração continuo chocada, tenho mais saudades alojadas e mais rostos me sorriem de modo familiar.

Pouco depois quando me voltou a visitar, aí sim me assustou. Assusta permanentemente. A sua presença esmagou-me completamente.

Parece estúpido e mórbido, mas é como se sempre que ela me visita me desse a mão, não a dela, mas a de quem leva, e ando na vida sempre com essas companhias próximas de mim. De uma maneira carinhosa. Gosto de pensar nelas, de lembrar cada pormenor, e de as ir vendo em trejeitos de conhecidos e desconhecidos.

Ainda hoje não sei como reagi a primeira vez à sua presença, nem a segunda, muito menos como reagi a terceira vez, e não sei como reagirei amanhã quando a for apresentar ao meu cão. Mas posso dizer que a conheço já, e sei bem o seu nome como não sabia antes (embora saiba que o terei que conhecer sempre melhor). Ainda assim não o quero escrever aqui, porque a detesto e tenho medo.

3 comentários: