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O branco é paisagem

O branco é paisagem
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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

branco paisagem

(a call to arms e nantes - Beirut)

Esta é a música com que andava de bicicleta em Évora. Soam as primeiras notas. Estou a postos. Começo a pedalar. Deixo o portão verde. O parque infantil. Entre outras coisas que ficam para trás. Cada viagem é uma única viagem. Tudo se começa a misturar no girar da roda.

As casa têm hortas. Os cães dali, tal como os gatos de todo o lado, são senhores de si e vêm-me a passar. Viro a esquina e lá estão as muralhas. Continuo a girar. Largo as mãos e o sol bate-me na cara com a suavidade deste inverno-primavera. E o mundo é meu.

Qualquer tristeza qualquer melancolia qualquer alegria são minhas e por elas passeio, uma mão ao volante e a outra ao vento.
Já não estou a pedalar posso apenas ir e os campos, as canas, as vacas estão para trás, estão no presente, estendem-se para a frente e o sol sempre.

Antes julgava que as muralhas cresciam aos poucos como as plantas e sem que desse conta, me enterravam dentro delas. Dentro do seu silêncio. Mas não. São senhoras de si e vêm-me passar e não é silêncio.

Às vezes dou por mim a andar a pé, sem esse silêncio e o sol enterrado nas suas sombras. Fecho os olhos e relembro todo aquele branco paisagem do Alentejo e tudo o que ficou para trás e presente e para a frente, mas principalmente lembro o sol que não me bate nos olhos fechados.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012