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O branco é paisagem

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segunda-feira, 16 de julho de 2012

Jamaica, Amsterdão, Copenhaga, Japão, numa esqina de Lisboa.


Numa discoteca condensada de fumo e suor, corpos juntos, frenéticos, dançam o cansaço para fora de si.
A cerveja na mão traça o eixo descontrolado dos musculos. Se me abanar o suficiente o tédio esgota-se comigo e quando cair na cama dormirei de imediato.
A música não me diz nada. Retenho o ritmo, reabasteço a cerveja. Finalmente o estado hipnótico do balanço dos corpos.
No meio de todos dois namorados beijam-se pela última vez numa música que só eles ouvem. Talvez não seja isso. Talvez dois amigos se beijem pela primeira vez numa musica que decoram para sempre.
Esvaziado o espaço dum tempo-vida que se fingiu, abre-se a porta para os primeiros raios de sol. A insaciedade de algo que não se cumpriu respira a manhã, insistindo em forças que restam para procurar algo mais.
Autocarros apinhados de senhoras da limpeza, padeiros, rostos fatigados de mais um mesmo dia que reinicia rasgam a poesia que não existiu sequer. Não há muito mais...
Quando chegar à cama dormirei de imediato.

2 comentários:

  1. Um luxo chegar e dormir logo, um luxo. Isso lembra-me a minha casa no carmo, para cuja cama me atirava após subir aqueles quatro andares a pé, morta de cansaço.

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  2. fazem parte, estas noites..até dão uma nostalgia esquisita ;P

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