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O branco é paisagem

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domingo, 22 de julho de 2012

Manifesto da Re-Theater Co., grupo de teatro fundado e dirigido por Manuel Grangeio Crespo, em Nova York





"O teatro não é distracção. O teatro é apenas distracção na medida em que não deve ser chato.
(...)
Chamamos Teatro ao sítio onde as pessoas vão todas as noites despojar-se das suas diferenças, das suas personalidades, dos seus fantasmazinhos individuais; chamamos teatro ao sítio onde as pessoas vão despojar-se de tudo o que as separa umas das outras, mergulhar a sua consciência nos mitos comuns, a fim de que a realização de cada homem não possa levar nunca senão à realização do homem.
(...)

O teatro para nós é sinónimo de transformação.
Consideramos a vida como um meio de o homem perguntar a si mesmo:  "o que é isto?" e "porque é que estou aqui?" e "para onde vou?" e "que pode levar-nos daqui para ali?". O teatro é o sítio onde as pessoas vão para não se esquecerem de fazer estas perguntas, e o sítio onde voltam para se assegurarem de que as respostas a que chegaram, e que serviram ontem, ainda servem hoje.


A questão é sempre: o que significa ser um Homem?e a vida deveria ser sempre a expressão desta pergunta. Por a vida ter cessado de tentar responder-lhe é que os homens deixaram de precisar do teatro para moldar as suas vidas.

O teatro é o sítio onde o homem faz perguntas. Não as perguntas do João, do José ou do António. Não: como consegue o António ser o António, mas perguntas de homem: como pode o António ser um homem, antes de ser o António.

As diferenças são apenas relevantes quando aquilo que é comum está já inteiramente realizado. O teatro, que é o coração de uma civilização,  também pode ser o braço com que o homem a recusa.

Queremos que a vida seja a expressão, não a traição do homem, e chamamos teatro à manifestação desta vontade.


Os homens vêm todos da mesma origem, e se eles se dirigem para  alguma meta, só lá poderão chegar juntos.


O teatro é o lugar onde os homens vêm para compreender que o futuro é o seu passado comum, a  sua comum herança."


Março de 1965

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