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O branco é paisagem

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terça-feira, 19 de março de 2013

Insónia miada

A noite é longa e começa cedo e o gato já faz sentinela. Confere os mesmos sítios em rotas insuspeitas, não esteja ele a ser seguido.
Pára.
Com uma angústia miada detém-se naquele local exacto. Naquele local onde eu não vejo nada. É aí que ele se sustém e irrompe esse vazio com o seu focinho, enrolando-se com o ar, sentindo a carícia, entregando-se a ela, perfurando o chão como se a fosse encontrar. Naquele preciso local, onde não há nada.
E retoma a sua jornada. Dois passos a seguir e  é ali, corrige um passo para trás, é indiscutivelmente ali, que é esperada a sua carícia. E ainda faltam tantos cantos. E o seu amor é incansável,  faz parte do seu oficio, cumpre-o com distinção - desesperadamente em cada entrega, pacientemente no entretanto de quem sabe infinita a sua missão.
 E se tiver que percorrer o mundo preenchendo todos os espaços vazios, onde eu não vejo nada, em angustia miada, assim o fará e o tomará como seu.

É assim o cio. Não retiro daqui nenhuma conclusão.

Acabou o seu turno, a noite  faz ainda sua guarda, ele lambe do pelo a exaustão de quem tanto deu sem querer retorno e pé ante pé se recolhe no meu cabelo. Eu agradeço, ainda acordada.


sábado, 9 de março de 2013

O teu Alentejo é isto



Fui ao Alentejo 
e quando lá cheguei ressentia-me
e os meus olhos tanta luz.
E a meio de um dia de tempestade,
lá havia sol. claro.
Sentei-me num muro,
sentia a nuca a aquecer rapidamente,
suavemente,
e os pássaros e os sinos,
"olá boa tarde".
E numa golfada de ar cabia tanto Tempo.
Trouxe um bocadinho a mais para casa.