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O branco é paisagem

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sexta-feira, 31 de maio de 2013

Ensaio para a tua Alice II

Um dia vi aquela porta. Sabia que não conseguia passar por ela. Dia e noite não me saía da cabeça. Era tão pequena como um dedo e nos meus via dez daquelas portas. Dez impossibilidades para mim. Eu só queria uma.

Enquanto esperava, pensava em todas as maneiras de a passar, de ver o que estaria por de trás. Espiava com o meu olho esborrachado na sua pequena largura, via um espaço infinito e muita luz. Enfiava lá o meu nariz mas de tão apertado não sentia cheiros. O dedo por lá sentia uma leve corrente de ar fresco.
Não desconfiava o que haveria do lado de lá, mas não queria outra coisa. Queria sair deste mundo que não me dava ânsias de coisa nenhuma, queria saber-me capaz de concretizar uma impossibilidade.

E nesta expectativa eu ia mirrando, mirrando. Até ficar do tamanho de um dedo.
Estava na hora, podia passar.
E o que vi era grande de mais para o meu pequeno tamanho. Sim, era infinito. Mas sem cor, sem cheiro, sem calor. Uma infinidade de possibilidades e eu mirrada de mais para as querer fazer despertar nos meus olhos.

Não podia voltar para trás, onde já não poderia encaixar. Onde teria que me admitir vazia depois de tão longo caminho. E para onde olhava não via nada. Não via ninguém. Um silêncio absoluto. Ninguém me esperava, ninguém me chamava. Ninguém percebia a grande impossibilidade que eu tinha ultrapassado. Olhei para os meus dedos, que serviam apenas para limpar as minhas lágrimas.



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