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O branco é paisagem

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sábado, 23 de novembro de 2013

Mel

 Mel

Estava tantas vezes doente
Esse corpo frágil.
Come mel que isso passa
Mas não passava
E nunca gostei de mel.
Só da cor
E da textura.
Lava que não lava
Nem queima
Nem arde
Nem cura,
Pegajosa lembra ao corpo
O seu lado lamacento
Colado a impurezas
Cada vez mais agarrado
Numa mão que mal se abre,
Um coração adoecido
Amarfanhado amarelado entristecido.
E numa colherada
Ele derrete, resistente,
Abrindo numa funda camada
Uma bolha de ar espessa
E a alma curada, lentamente,
Trepa pelo mel coração amarelo denso
Lava que não é vermelha que diz que não queima
Roxa de tanto ar suspenso.
E o corpo que teima
 em dizer que não deixa
Rebenta de repente.
Afinal curava afinal passava e respira.