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O branco é paisagem

O branco é paisagem
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segunda-feira, 24 de março de 2014

no metro

Apertado, intimamente apertado,
o meu corpo funde-se com os outros em equilíbrios mútuos,
e o hálito da manhã partilhando o tédio de mais um dia já velho.
A crise é de todos mas cada um com a sua.
Intimamente desligados uns dos outros, olhos vidrados,
e tu... com o teu peito no meu peito
e os lábios à distância de uma palavra.
Insuflo-me de coragem: se pensar mais alto quase me ouves,
não tivesses tu os fones nas orelhas.
E se o meu suspiro te entrasse pela boca e tocasse no céu?

De assalto me encaraste. Corei. E desviei-me da frente,
os olhos, claro, o resto seria impossível.
Mas tu não. Desafiei-te demais, agora não posso fugir.
Os teus olhos abrindo dois pontos de um discurso
silencioso. Tenho medo e o meu corpo paralisado no teu.
Respondes-me com uma vírgula pestanejada. Tenho medo. Fecho os olhos.
Sincronizamos a respiração enfim e o teu peito no meu peito..
-Saio aqui. Soltou-se um abismo da tua boca.
Entre os corpos te fui perdendo.
Ainda assim, as nossas mãos tocaram-se pelos olhos que já não se viam,
um aperto partilhado num toque que deslizou entre as nossas peles.
Talvez te volte a ver num dia em que o medo se tenha perdido pelo caminho,
disse através do vidro e a tua boca à distância de todas as restantes palavras.




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