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O branco é paisagem

O branco é paisagem
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segunda-feira, 21 de julho de 2014

Quando tinha doze anos tricotou umas meínhas de bebé. Já nenhuma das suas amigas brincava com nenucos e nenhuma tricotava. A maioria já tinha as mãos atadas ao computador. Naquela casa também chovia e também se via televisão. Uma casa normal. Ela também já não brincava muito com as bonecas e via a mãe de pernas estendidas, relaxada, a tricotar. Então a sua mãe baixou o volume só para lhe contar como se fazia e pelo calor morno do som da televisão, as histórias saiam daquelas linhas e ela foi decorando, o caminho das linhas e das histórias.

Quando fez 30 anos, ela foi buscar as meias. Foi buscar as agulhas e as lãs. Ia fazer umas meinhas iguais, e pensar que está na idade  de ter um filho, como seria bom tê-lo e dar-lhe essas meinhas antigas, e se ele ou ela quisessem também poderiam um dia aprender a fazê-las. Já tinha o dobro das histórias para contar. Ligou a televisão e pouco depois as meinhas e as agulhas ficaram esquecidas no seu colo.


Marta Soares

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