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O branco é paisagem

O branco é paisagem
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sábado, 6 de setembro de 2014

Lá em baixo

Acordei com a boca cheia de lama.
Quis dizer palavras bonitas, por força do hábito
mas dos meus lábios rastejavam vermes.
Escorrem pelo meu corpo como lágrimas
deixando um rasto amargo sujo.
Os meus olhos estavam bem alerta bem claros bem limpos.
mas deles não saia nada.
Um a um passeavam por mim
estranhos que desperdiçavam palavras certas.
Os caminhos lamacentos descem pelas minhas pernas
nuas sem direcção.
As palavras não me habitam. Nem limpam o meu corpo.
Por entre os meus pés, entranhando entre os dedos
sangravam os vermes roendo-me a carne.
Olho para os estranhos pés vermes.
Olho para o céu.
Tenho os olhos claros limpos em silêncio.
Fogem em direcção ao céu sem perceber o que se passa lá em baixo.

Marta Soares