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O branco é paisagem

O branco é paisagem
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quarta-feira, 22 de outubro de 2014

A criança projectou uma imagem demasiado viva,
de grandes proporções.
 Dela rasteja no chão uma pequena sombra.
 Somos hoje essa sombra negra e rastejante.
 Com o sabor a terra infértil na boca
ruminamos desesperadamente os sabores de outrora.

  Dói ser essa troca
 e procurar debaixo dos pés
 o céu e as cores e a vida
e ter sempre agarrada a eles essa figura gigantesca que assombra.
 Não saber se estamos virados para trás ou para a frente
 o tempo não escolhe lados.

Marta Soares

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Sobre uma imagem de "Sol Menor", de Joaquim Pinto e Nuno Leonel

No cimo de uma colina,
à beirinha à beirinha,
estava um estendal vazio,
apenas com um pano branco pendurado a meio.

As nuvens que se faziam
espalhavam a luz mal distribuída
mas aquele pano branco
a meio pendurado
para ele reclamava toda a luz daquele dia.

O vento que dali,
da beirinha da beirinha,
mergulhava sem medo
deslizando pela colina
era com o pano que se envolvia
e o sacudia, sacudia.

O meu olhar também ali se prendia
preso com molas àquele pano,
àquele dia
e observava invejoso o acto de amor
e ao prazer violento
que o aquele pano sentia.

Sou eu aquele pano.
Um dia perco as molas.
Um dia.



Marta Soares