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O branco é paisagem

O branco é paisagem
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quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Já não tenho idade para saber tudo
Na idade das definições desfolhei
uma a uma cada certeza.
Seria bom ter ficado nua corpo ardentente.
(E tu que querias tanto viver,
E eu que deixo o meu corpo arrefecer).
Em breve farei trinta.
Os trinta são os novos zero.
E agora posso ouvir porque já não há barulho.
Desde que o silêncio não assuste.

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Não me perguntes agora

Para a minha amiga Inês


Mãe não me perguntes agora quem sou
estou ocupada a viver a vida.
Mãe não me perguntes agora quem sou,
é resposta que ocupa tempo.
Se às vezes até desconfio uma resposta
sentada frente a frente com o mar
a resposta pode tardar mais um momento:
Olha o azul como se transforma
olha o céu como é lindo.
Mãe não me perguntes agora quem sou
se não precisas de resposta.
Se estou contigo e me sinto,
e se me sinto, sinto-me bem,
para quê falar agora, mãe.
Olha como às vezes é difícil,
Olha a vida como nos transforma
e nem eu nem tu nos apercebemos...
Se tivesse resposta agora,
mãe,
custaria um pouco menos?
Às vezes dou por mim de repente,
a pensar a mesma pergunta
E fio e desfio-me de trás para a frente,
e quase desconfio a tal resposta.
Em breve, prometo.
Em breve, quando tiver tempo.


Marta Soares